quarta-feira, 1 de julho de 2009

Resumo do caderno de Antropologia II

Resumo do caderno de Antropologia II
II – Escola estrutural-funcionalista britânica: antievolucionista, estudos sincrônicos, empírica, sistemas sociais e relação de poder
à Malinowski: Método etnográfico/observação participante
Funcionalismo utilizava o trabalho de campo como técnica, e criticava a antropologia precedente, princpalmente evolucionismo e difusionismo (criticados pelos funcionalistas pela arbitrariedade das categorias criadas, que geravam a fragmentação da cultura).
Quanto ao método, ver a introdução de Argonautas do Pacífico Ocidental (ver fichamento). O livro causara grande impacto. Seu método dá ênfase a longa estadia no campo. Urge o conhecimento preciso da língua, para entende-los em seu uso, diferenças. Trata-se de um contato com o nativo, isolado de outros ocidentais. O campo deve ser intensivo, extensivo e meticuloso. Com a monografia, cria um novo gênero etnográfico: ênfase no total, no fato social total. História: pensa o presente etnográfico, não sendo possível entender a historia dos grupos (diferente de Boas), era criticado, pois a cultura muda. Fazia uso de teorias da Escola Sociológica Francesa, funcionalismo (instituições desempenham funções de coesão social).
Teroai da sociedade como sistema integrado, um organismo. Busca-se a totalidade (idéia durkheiminiana). Uma instituição pode ter uma função latente: inconsciente pelo nativo, e uma função manifesta: nativo consicente.
Faz uma mudança do centro de referência da antropologia: a cultura do nativo, e não do sujeito observador: comparações com o ocidente são para o leitor compreender a sociedade nativa, e não a ocidental.
Idéia de consciência coletiva – relaciona idéias e instituições com o todo cultural.
Função: a) atividade desempenhada pelos membros da tribo; b) interconexão de algo que fundamenta a coesão; c) algo essencial para tribo
Encontra um fato social total : o Kula
à Radicliffe-Brown: não se considera parte da escola estrutural funcionalista. Segue uma linha durkheiminiana, utiliza a noção de função, o método bibliográfico, faz uma etnografia. Crê que a antropologia social estuda estrutura e funcionamento social. Cultura é parte da sociedade, indivíduo parte da cultura. Isolamento teórico de partes da sociedade, apesar de que se deve vê-la como um todo. Entre questões pariculares e método comparativo, opta pelo ultimo.
Antropologia social é ciência natural que estuda fenômenos sociais.
A rede de relações pode ser renovada, mas a forma estrutural geralmente não muda muito: a) morfologia: definição, estrutura, comparação; b) fisiologia: funcionamento das totalidades dos fenômenos sociais; c) transformação social: processos de mudança.
Interesse e valores dos indivíduos transpassam nas relações sociais. Crê na evolução social das estruturas.
Estrutura como organização sócia, posição social, discurso nativo acerca da organização social, totalidade social: sociedade como organismo (cada instituição tem sua função dentro da estrutura à mapa da organização social = empírica). Estudo da estrutura por meio do parentesco e da mitologia (ideologia do mito está iontegrada a estrutura social).
Sentimentos não são inatos, a sociedade molda os indivíduos. Cerimônia: manifestações coletivas da totalidade. Não compara costumes. Todas as instituições de uma única sociedade são estudadas em conjutno.
No estudo sobre o irmão da mãe, parte da genealogia e vê como se dão relações genealógicas e afins e a partir delas parte para questões estruturais. Dispositivo irmão-da-mãe é usado para explicar estruturas, como que possibilitaria fazer sociologia comparada entre povos.
à Evans-Pritchard: Ázande
Vê a pesquisa de campo como mais uma das técnicas da pesquisa antropológica. Representações coletivas.
No Cap 1 ("Bruxaria é um fenômeno orgânico e hereditário"): bruxaria orgânica (intestinos), e hereditária (dos pais para os filhos de mesmo sexo
Cap. 2: "A noção de bruxaria como explicação dos infortúnios": Relação causa-efito é compreendida. Bruxaria atribuída a infortúnios, coincidências nocivas. Bruxaria está presente em todas as atividades. Azande sabem como lidar com bruxaria, mas não discutem o tema. Bruxaria como "segunda lança" (a primeira é uma cabana cair, a segunda é as pessoas estarem ali naquela exata hora) – tabus. Não separam o natural do sobrenatural.
Cap. 3: "as vitimas de infortúnio buscam os bruxos entre os inimigos": Mortes atribuídas à bruxaria. Noção de bruxaria e estrutura social. Domínio dos pais e mães sobre filhos e filhas respectivamente, e dos aritocratas sobre os plebeus. Não existe mau absoluto: bruxaria envenena relações
CAp. 8 "Oráculo de veneno na vida diária": Método: observação participante embasada na teoria. Bruxaria: regulamento sócio-moral; hierarquia social; inimizades existem; adultério (controle dos homens).
Outras racionalidades: mecanismos, infortúnios: Não tão coercitivos como em Durkheim. Há noção de função (social como organismo). Contemporâneo de BAteson, ponto em comum: emoções, relações constroem o social. Parte das formulações nativas (bruxaria é orgânica e hereditária) como teoria, e mostra como se vive a partir dessa teoria (vida cotidiana, relações interpessoais, práticas, regulação).
Bruxaria é generalizada, não individualizada. Na teoria social zande, bruxaria reflete jogo social (mecanismos de organização da sociedade: localização, inimizades, hierarquia). Bruxaria descreve infortúnio e cria meios de combate-la. Associação de fenômenos (causa e efeito mais infortúnio). Estamos diante de um sistema de micropolítica: aspectos sociais distintos.
Antropologia, sociologia do conhecimento. Não despreza registro históricos. Bruxaria é função dos jogos interpessoais. A esfera dos oráculos não é separada da vida cotidiana.
à Evans-Pritchard: Os Nuer
Chefes de pele de leopardo: importância nos rituais mas sem autoridade.
Capítulo "tempo e espaço": ponte entre capítulos de ecologia e economia para os relacionados a linhagem e território. Relatividade social; fissão e fusão. Confições físicas econômicas (ecológicas) limitam normas sociais que podem aparecer, mas não são determinados. Tempo e espaço são determinados pela ecologia e também pela estrutura social. Tempo ecológico: relação de elementos naturais com significação social. Tempo estrutural: determinado pelas interrelações estruturais.
Ano cíclico – tempo ecológico. Ciclo diário: atividades, tempo estrutural, passagem do tempo é a relação entre estas atividades diárias: tempo não é contínuo. Tempo estrutural: pontos de referencia. Conjuntos etários: fixa, não-cíclicos. Ordem de parentesco: distancia dos ancestrais comuns. Estrutura: constante, então tempo estrutural não passa. Indivíduos vivem e morrem mas a estrutura não se altera. Tradição:historia se transforma em mito. Espaço estrutural: relativo a organização estrutural (não a distância real).
Sistema político: Ecologia: vida social depende do gado. Sociedade se estrutura em torno da criação de gado. Categorias: segmentariedade dos Nuer: pertencimento à grupos: é relacional nas situações de conflitos. Movimentos de fissão, fusão – equilíbrio.
Em caso de homicídio ocorre a vendeta (ou doação de gado), mas no caso de aldeia há relações de parentesco – chefe pele de leopardo faz a intermediação entre grupos em conflito. Quanto mais distante da aldeia mais difícil de exigir pagamento de gados, pois não há poder central.
Organização política em aldeia é mais coesa, pois todos são relacionados (cada nível mais baixo nas divisões e subdivisões, o grupo é mais coeso, então a mediação é mais fácil). A coesão as vezes so aparece em situação de conflito externo. Não possuem um sistema jurídico como nós, mas a confiança no chefe de pele de leopardo, grupos, etc... é uma forma de lei. Sociedade acéfala: sem chefe.
Linhagem: relações agnáticas de ligação com ancestral. O clã principal dá nome a aldeia. Parentesco da mãe: outros clãs moral lá (não há diferença na vida cotidiana). Clã superior existe pois, como não há centro de poder político, serve como modelo. Sistema político segmentado é relacionado a linhagem agnática. Estrutura é empiricamente observada. Identificação política é territorial
Em suma: Noções de tempo-espaço: configurações destes elementos pelas relações sociais (ecológico com forte ligação com o estrutural). Difere de Durkheim, pois busca condicionantes da vida. Nas aldeias, conflitos intermediados pelo chefe de pele de leopardo. Política emana da estrutura. Trata-se de um projeto estrutural-funcionalista e comparativo (acahr o que é comum a todas as sociedades humanas). Afasta-se de Radcliffe-Brown, pois se preocupa com a maneira como a vidad é vivida (jogo político) e não só estruturas. Ênfase na linguagem.
à Max Gluckman
Análise de uma situaão social na Zululândia moderna: adaptar o paradigma estrutural-funcionalista para sociedades modernas. Questão do conflito (a partir da 2ª geração: como o jogo político é vivido). Conceito de situação social: eventos observados pelo antropólogo e a partir daí desdobra-se as implicações do que estava acontecendo, no âmbito das relações sociais, entre os dois grupos (no caso, a construção da ponte) = estudo de caso que possibilitam a análise de interações entre atores sociais. Assim como Leach, busca superar a ortodoxia (evans-Pritchard, Malinowski, Raddclife-Brown), tratam do conflito e competição e do ator que se interessa em galgar posições melhores.
Dinamismo central dos sistemas sociais é a atividade política por homens que lutam por poder e status dentro do quadro sociais, por vezes ambíguo. Para apreender o papel que lideranças africanas tem na África moderna lança mão do conceito de situação social.
Situação social na Zululândia: Critica a antropologia social britânica no que diz respeito à noção de estrutura. Crítica a identificação automática dos indivíduos na sociedade. Novo tipo de análise: método de etnografia. Interpretações de sua obra afirmam que ele demonstra a impossibilidade de se estudar grupos sociais isoladamente.
Escola de Manchester à rede (bastante empírica). Nasce em meio ao apartheid, sua noção de situação social mostra que o que existe é encontro (contato organiza a vida moderna na África) de grupos, e não separação. Caráter político do estudo: há situações de encontro, aparato administrativo colonial. Possibilidade de comparação : instituições participantes da mudança, mudança dos atores.
à Edmundo Leach: Sistemas Políticos da Alta Birmânia
Preocupação com a ação dos indivíduos dentro das estruturas (compreendidadas como configurações momentâneas). Conflito das normas e manipulação. Perspectiva histórica: mudança. Objetivo empírico ampliado. Modelo funcionalista que inclui mudanças: modelo como busca pelo equilíbrio (equilíbrio, integração do sistema, dinamismo dos sistemas sociais).
Mudança ocorre pela ação dos indivíduos quando estes mudam de posição: mudança intrínseca a posição social. Normas seriam ideais instáveis baseados em configurações momentâneas. Afastamento do modelo de Durkhim. Ritual como afirmação do status e estrutura social.
Alta Birmânia: Cham (plantadores de arroz) e Kachin (colinas): esses dois sistemas para Leach seiam o mesmo e se articulam, estão em equilíbrio.
Ritual (ação) e mito (palavras): explicação simbólica da sociedade (indivíduos que buscam status). Antropologia social anterior: estudava sociedades em equilibrio, isoladas: sociedades não estão em equilibrio, estruturas (abstratas) sim. Cultura pode variar, sem no entanto sistemas mudarem.
à Victor Turner: O processo ritual
Estrutura e processo. Liminariedade. Teoria é abrangente, estrutura maleável. Ritual: drama social. Performance. Communitas: circunstanciado pelas regras sociais. Estrutura e antiestrutura.
Aluno da Escola de Manchester, considera a noção de estrutura. O campo de experimentação social (espaço e ritual) é a antiestrutura, que possibilita a mudança. Processo, dinâmica.
Teoria do ritual: separação da vida cotidiana. Ritual de consagração da vida social (esta é revigorada por meio dos rituais): dinâmico
Se em Leach o mito justifica a facção e mudança social (mitos como retórica política) em Turner uma antropologia não cientifica, em que a estrutura é entendida do ponto de vista da anti-estrutura: estrutura muda na communitas.
à Mary Douglas: religião comparada: aluna de Evans-Pritchard. Produções simbólicas estudadas como representações sociais. Relações sociais são relações de poder. Transferiu conhecimentos feitos a partir de estudos de sociedades não ocidentais para o ocidente.
Introdução: Descarta o medo como parte das religiões primitivas. Higiene: sujeira é desordem (rituais de pureza e impureza criam unidade na experiência). Pureza/impureza, ordem/desordem.
Capítulo 6: poderes e perigos. Desordem como poder e perigo> pureza e impureza à rituais e status. Marginalidade (poluição e purificação): poder e perigo, afastamento do corpo social. Poder: 1) Controlado; 2) Descontrolado; 3) descontrolado por infração à estrutura. Tanto o poder consentido como o poder não-controlado atuam como controladores sociais.
Trata-se de uma análise da dimensão social, estrutura. A definição da ordem mostra o que é desordem. Desordem é espaço que revigora a sociedade, anti-estrutura é perigo. Antinomia reconhecida no espaço da desordem como explicativo da ordem, através do estudo do simbólico. Desordem é destrutiva para ordem, mas é necessária para sua manutenção. Desordem é perigo e poder. Poder: sociedade X amorfia circundante (poder emana da experiência liminar). Estrutura introjetada no individuo (cita Goffman).Com sua visão de estrutura atenta para visões parciais.
Capítulo 7: Limites externos: Corpo como representação para explicar a estrutura social. Impureza (contextualização do que é). Rebate análise dos rituais feitas por psicólogos. Ex etnográfico: sistemas de castas na Índia (impureza das classes inferiores).
Aula:
Tema do simbolismo. Estrutura social lida através dos símbolos (rituais, modificações do corpo). Leitura durkheiminiana: coerção social afeta a percepção do mundo que os indivíduos tem (sociedade se projeta no individuo, o antecede).
Acréscimo de Douglas: 1) Margem (não estrutura) é tão elucidativa para a compreensão do social quanto a estrutura; 2) A partir das zonas de impureza se entende perigos e possibilidades à estrutura.
Turner e Douglas: anti-estrutura não é regrada.
Faz monografia sobre os Lele. Antropologia comparada que, a partir da religião, se propõe a estudar as questões postas pelo ocidente (mundo judaico-cristão). Explicitação da ordem feita através da proibição (impureza, desordem). Corpo como plano de análise para antropologia (uma vez que ela estuda o simbólico). Estrutura: definição, portanto, negativa: " I am not usually refering to a total structure which embrances the whole of society continually and comprehensively". Definição positiva: "particular situations in which individual actors are aware of a greater or smaller range of inclusiveness"
Abordagem holística das classificações. Antinomias: pureza/perigo, forma/amorfia/ ordem.desordem: os dois pólos são elucidativos para se entender o social. Mundo é potencialmente caótico: qualquer experiência humana ocorre com definição da ordem social e exclui elementos possíveis: Estuda os resíduos da desordem, daquilo que é excluído da ordem.

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